domingo, março 30

Além do risco constante de engrossar a lista de vítimas de assalto, uma das coisas chatas de se andar de ônibus é ter que aturar os ambulantes que embarcam a todo instante. É só o coletivo (bonito isso) parar no ponto e logo surge um. Entra pela porta da frente, dá uma mariola pro motorista e tenta empurrar o restante para os ilustres passageiros (belos tipos faceiros?). Anteontem, tive o desprazer de ser apresentado a um novo representante da categoria. Mas esse não vendia balas ou chicletes, estava sim divulgando um programa de reabilitação para dependentes de drogas ou álcool. Até aí tudo bem, o diabo é que o sujeito resolveu descrever o tratamento com profusão de detalhes. Fiquei sabendo que para não sofrer nenhum tipo de tentação o paciente é levado para uma casa no interior do Paraná, onde assiste a cultos evangélicos, participa de atividades edificantes, etc. Tudo isso dito numa voz monocórdica que buscava sobrepor-se ao barulho produzido pelo motor do ônibus. Ao perceber que o assunto estava prestes a descambar para a ladainha religiosa, resolvi saltar fora do ponto mesmo. Minha alma já perdeu a esperança de ser salva desde que consegui ser reprovado no catecismo.

A superstição demorou um pouquinho mas funcionou em grande estilo. Encontrei o Black Eyed Man dos Cowboy Junkies por apenas 16 pratas (e é importado). O que leva uma pessoa normal a desovar essa maravilha na loja de CDs usados é algo que escapa à minha compreensão, mas acho mais é bom. Ainda no tópico "compras memoráveis", descolei na internet o primeiro álbum do Suede. É nacional, mas custou só 11 reais. Na loja cheguei a ver o Psychocandy do Jesus & Mary Chain por 18. E pensar que eu paguei uma baba por ele há uns dois ou três anos. Odeio quando isso acontece.

terça-feira, março 25

Estive tentado a escrever algumas incoerências por aqui mas, para felicidade geral, não levei a cabo tal intenção. Não há como negar, meus posts andam um porre. Mas fazer o quê? A vida também é chata, o blog é só um reflexo.
Como vocês bem sabem, o último domingo foi marcado por um grande acontecimento. A entrega do Oscar? Nada disso. A captura dos soldados americanos pelos iraquianos? C'mon! Refiro-me, obviamente, à final do campeonato carioca de futebol, vulgo Caixão 2003. Eu só vi alguns pedaços dessa decisão molambenta mas, a julgar pela algazarra feita pela clientela do pé-sujo aqui em frente, parecia até que o Mundial de clubes estava em disputa. Todo esse rodeio foi só para falar de uma amaldiçoada torcedora da turma do cinto de segurança. Após o jogo tornar-se favas contadas, fui torturado durante uns vinte minutos pela voz esganiçada dessa criatura a berrar: "Uhuuu! Vascooooo! Uhuuu! Vascooooo!" É impossível expressar em palavras o ódio que eu sinto por gente que grita "Uhuuu!". Minha vontade era bater um fio para o palácio do Saddam em Bagdá, pedir emprestada alguma arma de destruição em massa e tacar tudo em cima daquela ratatuia. Essas neuroses de cidade grande vão me botar maluco. Mas tudo bem. Um dia eu ainda vou viver num lugar em que, à tardinha, as pessoas colocam cadeiras na calçada em frente de casa e ficam observando o tempo passar em silêncio.

quarta-feira, março 19

Bom, ao menos ficou demonstrado que não é só no Brasil que a Lei não alcança os poderosos. O Bush adentrou o saloon, olhou feio para o pianista dublê de secretário-geral e deu um bico na mesa onde repousava o direito internacional. E ai de quem achar ruim.

Ao dar uma espiada num site dedicado ao Woody Allen, encontrei essa velha, porém atual, tirada:
More than any other time in history, mankind faces a crossroads. One path leads to despair and utter hopelessness. The other, to total extinction. Let us pray we have the wisdom to choose correctly.

Ok, já que está na moda abraçar a causa pacifista, aí vai a minha modesta contribuição. :-P
PS: O trocadilho não é de minha autoria (quem dera).

domingo, março 16

Essa eu tinha que contar aqui. Há pouco estava no Soulseek buscando algumas faixas do disco "A Charlie Brown Christmas", trilha composta pelo genial Vince Guaraldi para o desenho homônimo. Produzida em 1965, foi a primeira animação estrelada pelos grilados personagens de Charles Schultz. O SBT, que antigamente atendia por TVS, costumava exibi-la todo final de ano (ah, meus tempos de criança). Bom, antes que isto aqui vire o "varandão da saudade", bora falar do assunto que motivou o post. Ao terminar de baixar "Linus and Lucy", tratei logo de conferir as informações na caixa de dados do arquivo. Qual não foi a minha surpresa ao encontrar no campo de comentários a seguinte mensagem: Join the NRA at www.NRA.org. Que lástima. Não esperava isso de alguém que, provavelmente, cresceu acompanhando as desventuras do melancólico Charlie Brown. E a coerência? Se o culpado pela mensagem ainda fosse algum fã de Pokemon, Digimon e quejandos...

quinta-feira, março 13

Difícil afirmar quem é mais chato. FHC com seus discursos em que desqualificava os críticos como fracassomaníacos, cassandras, caipiras e neobobos, ou o Lula com suas metáforas futebolísticas para explicar a situação econômica do país. Algum aspone precisa avisá-lo que o que podia soar pitoresco durante a campanha eleitoral, agora simplesmente dá no saco.

Últimas notícias: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, a realização de uma reunião de alto nível com países interessados em tentar uma saída que evite o conflito Estados Unidos-Iraque.
Pelo jeito, o nosso engajado mandatário só vai sossegar o facho depois que levar um "passa-moleque" por parte dos adultos.

terça-feira, março 4

Ah é, já tava esquecendo de relatar o final da minha saga em busca de mais disquinhos prateados. Então, fui em duas lojas e, pasmem vocês, não encontrei nenhum dos CDs listados no post abaixo. Quem poderia imaginar... Mas, em compensação, descolei o "After the Gold Rush" do Neil Young, o que me permitiu completar a cartela e ganhar um crédito de 25 pratas numa próxima compra. Valeu a pena suportar a canícula da tarde e a multidão que abarrotava as lojas (preciso descobrir um horário mais sossegado).

Pensamento que costuma me ocorrer nesta época do ano: acho que a única coisa boa do carnaval é ter a chance de tratá-lo por "tríduo momesco" (velho clichê abandonado pela imprensa). Adoro essa expressão. Assim como uma das minhas palavras favoritas é "idiossincrasia" (talvez porque eu tenha várias). Posso concluir então que uma das minhas idiossincrasias é gostar de termos como "idiossincrasia" e "tríduo momesco"?
E vocês (?) ainda perdem tempo acessando esta porcaria. Tsc, tsc, tsc...